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Sunday 20 September 2026 16:15:04 GMT
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Comments

kkal911
Khalid: :
اتمنى ماتحط اسمك عشان المقطع كفو ونبغى ناخذه👍🏻
2026-09-20 16:18:46
2
mnx.88
. :
تكفى يرجال وش اسمه الشيله 💔
2026-09-20 17:52:27
0
.u5o7
رايد بنن سالم🇸🇦. :
🤙🏻🤙🏻👋🏻
2026-09-20 17:19:31
1
abotarf1411
. :
💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔
2026-09-20 17:22:30
0
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NO VELÓRIO DE “PEDRO NINGUÉM” HAVIA UM PASSARINHO. Dirijo meu carro numa rodovia de pista estreita cheia de curvas. Atendendo ao pedido do Poeta, assim vou chamá-lo, devo examinar uma mulher sua amiga com grave depressão. Saí de casa meio insatisfeito. Sábado à tarde!  O verde em volta da rodovia melhora meu humor.  E se com o Poeta nunca consegui boa sintonia, com seu pai a relação fluiu leve, solta, agradável. Sujeito afabilíssimo. Dizia ele, com razão, sobre as pessoas: “Quem fica rodeando o caixão não o carrega”.  Atendi sua esposa, mãe do Poeta, quando no final da vida apresentou depressão. Dois anos após enterrar a esposa, chegou a vez dele. Um homem pobre em bens materiais e rico em qualidades humanas. Seu velório foi muito triste, como costuma ser o velório de um viúvo.  Compareceram poucas pessoas. Um poema lá declamado me marcou profundamente. Nenhum cenário seria mais perfeito para a declamação do que aquela casa humilde e aqueles poucos e requietos amigos.  As coxilhas que vejo da estrada são como bolhas tênues. Algumas vacas pascem calmamente realçadas pela forte luz solar.  Dou-me conta de que nossa paisagem lembra em muito a do interior da Inglaterra. Sem forçar a imaginação posso me sentir como naquela tarde em que fui de Londres a Oxford.  Contra minha vontade devolvo o olhar ao asfalto. O trânsito é lento, porém constante. Num curto período atendi o próprio Poeta sem nada cobrar. Não só porque ele nunca teve dinheiro, mas, principalmente, pela amizade e admiração que mantive por seu pai.  Atendi como pude porque o Poeta é daquelas pessoas que a ninguém escuta. Reconheço que é inteligente, que se expressa bem e que, com trinta e poucos anos, já é bastante vivido. E conhece muitas poesias e muitos poemas.  Quem comparece a velório em casa pobre, de gente educada, honesta, trabalhadora, carinhosa, culta, mas que, por estes azares da vida, nada tem, experimenta o que é o sentir sincero. Não há disputa por bens materiais, não os há. Há, sim, o compartilhar da tristeza pela ausência de quem se espera sempre presente. O poema de Luiz Menezes, tão bem declamada naquele triste dia, poderia ter sido composto lá.  Deveria, sim, deveria ter sido composto lá: “O homem que nasce pobre é como cavalo xucro... É pealado pela vida, sofre a doma das tristezas até que um dia se amansa, perde a vontade e a fé... Depois, já sem serventia, morre à beira do alambrado, esquecido... sem ninguém!”  Éramos em poucos no velório do pai do Poeta. A começar que os amigos de meu amigo eram trabalhadores, não podiam ausentar-se do emprego: “Chorar é pra quem tem tempo, e o tempo pra pobre é escasso...”.   Quando cheguei na cidade em que estava a amiga depressiva do Poeta já me sentia disposto, em condições de bem atendê-la. Com certeza devido a lembrança crescente de seu pai, um inesquecível amigo de grandes qualidades humanas.  Mas e o Poeta?  Bem, o Poeta também merecia de mim admiração: foi ele quem com sincera emoção declamou no velório o poema “A morte de Pedro Ninguém” de Luiz Menezes. Ah! Quase esqueço de contar: no velório havia um passarinho pousado na janela.  Ficou lá por muito tempo. Abraço, J. A. Salton
NO VELÓRIO DE “PEDRO NINGUÉM” HAVIA UM PASSARINHO. Dirijo meu carro numa rodovia de pista estreita cheia de curvas. Atendendo ao pedido do Poeta, assim vou chamá-lo, devo examinar uma mulher sua amiga com grave depressão. Saí de casa meio insatisfeito. Sábado à tarde! O verde em volta da rodovia melhora meu humor. E se com o Poeta nunca consegui boa sintonia, com seu pai a relação fluiu leve, solta, agradável. Sujeito afabilíssimo. Dizia ele, com razão, sobre as pessoas: “Quem fica rodeando o caixão não o carrega”. Atendi sua esposa, mãe do Poeta, quando no final da vida apresentou depressão. Dois anos após enterrar a esposa, chegou a vez dele. Um homem pobre em bens materiais e rico em qualidades humanas. Seu velório foi muito triste, como costuma ser o velório de um viúvo. Compareceram poucas pessoas. Um poema lá declamado me marcou profundamente. Nenhum cenário seria mais perfeito para a declamação do que aquela casa humilde e aqueles poucos e requietos amigos. As coxilhas que vejo da estrada são como bolhas tênues. Algumas vacas pascem calmamente realçadas pela forte luz solar. Dou-me conta de que nossa paisagem lembra em muito a do interior da Inglaterra. Sem forçar a imaginação posso me sentir como naquela tarde em que fui de Londres a Oxford. Contra minha vontade devolvo o olhar ao asfalto. O trânsito é lento, porém constante. Num curto período atendi o próprio Poeta sem nada cobrar. Não só porque ele nunca teve dinheiro, mas, principalmente, pela amizade e admiração que mantive por seu pai. Atendi como pude porque o Poeta é daquelas pessoas que a ninguém escuta. Reconheço que é inteligente, que se expressa bem e que, com trinta e poucos anos, já é bastante vivido. E conhece muitas poesias e muitos poemas. Quem comparece a velório em casa pobre, de gente educada, honesta, trabalhadora, carinhosa, culta, mas que, por estes azares da vida, nada tem, experimenta o que é o sentir sincero. Não há disputa por bens materiais, não os há. Há, sim, o compartilhar da tristeza pela ausência de quem se espera sempre presente. O poema de Luiz Menezes, tão bem declamada naquele triste dia, poderia ter sido composto lá. Deveria, sim, deveria ter sido composto lá: “O homem que nasce pobre é como cavalo xucro... É pealado pela vida, sofre a doma das tristezas até que um dia se amansa, perde a vontade e a fé... Depois, já sem serventia, morre à beira do alambrado, esquecido... sem ninguém!” Éramos em poucos no velório do pai do Poeta. A começar que os amigos de meu amigo eram trabalhadores, não podiam ausentar-se do emprego: “Chorar é pra quem tem tempo, e o tempo pra pobre é escasso...”. Quando cheguei na cidade em que estava a amiga depressiva do Poeta já me sentia disposto, em condições de bem atendê-la. Com certeza devido a lembrança crescente de seu pai, um inesquecível amigo de grandes qualidades humanas. Mas e o Poeta? Bem, o Poeta também merecia de mim admiração: foi ele quem com sincera emoção declamou no velório o poema “A morte de Pedro Ninguém” de Luiz Menezes. Ah! Quase esqueço de contar: no velório havia um passarinho pousado na janela. Ficou lá por muito tempo. Abraço, J. A. Salton

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